
A derrota de virada para o Vasco por 2 a 1, na noite de sábado (18), em São Januário, acendeu de vez o sinal de alerta no Morumbis. O técnico Roger Machado, que já vinha sendo questionado, agora vê seu trabalho sob escrutínio intenso de setores influentes do Conselho Deliberativo do São Paulo. A pressão existe, mas uma demissão imediata ainda enfrenta obstáculos consideráveis nos bastidores.
Quem segura e quem pressiona
O principal escudo de Roger é o executivo de futebol Rui Costa. A dupla tem histórico de parceria em outros clubes e mantém bom relacionamento. Costa é o maior defensor da permanência do treinador e argumenta que uma troca agora seria um tiro no pé.
Do outro lado, conselheiros próximos ao presidente Harry Massis avaliam que o quadro atual é “muito difícil de reverter”. O mandatário, que ocupa um cargo-tampão e não é unanimidade na política do clube, sofre pressão desses aliados para agir.
Por que a troca não é simples?
Calendário insano: Até a pausa para a Copa do Mundo, não há uma única semana livre para treinamentos. Um novo técnico chegaria para “apagar incêndio” sem tempo de implementar seu estilo.
Efeito dominó: A demissão de Roger muito provavelmente arrastaria a saída de Rui Costa. Massis teria que buscar um novo executivo e um novo treinador no mercado sem a certeza de quem estará na presidência a partir de 2027 — o que afugenta nomes de peso.
Custo político: Fazer uma mudança tão drástica em um mandato provisório poderia desgastar ainda mais a imagem de Massis internamente.
As Copas como termômetro no São Paulo
A diretoria entende que os torneios eliminatórios pesarão mais na decisão final. O São Paulo estreia na Copa do Brasil na próxima terça-feira (22), contra o Juventude, no Morumbis. Uma eliminação precoce ou um resultado muito ruim na ida pode acelerar o processo de troca.
O lado de Roger
Apesar do clima pesado, Roger Machado não cogita pedir demissão. O treinador está frustrado com a pressão constante, mas acredita — assim como Rui Costa — que o time pode dar a volta por cima até a parada do Mundial e reverter a desconfiança com títulos.