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Caso Henry Borel: Jairinho é condenado a quase 44 anos de prisão; Monique recebe perdão judicial por homicídio

Após o julgamento mais longo da história recente do Rio de Janeiro, ex-vereador foi responsabilizado por homicídio qualificado e tortura, enquanto jurados desclassificaram acusação contra a mãe do menino, condenada apenas por omissão 

Gislayne Jacinto
Última atualização: 04/06/2026 14:53
Por Gislayne Jacinto
Publicado 04/06/2026
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Caso Henry Borel: Jairinho é condenado a quase 44 anos de prisão; Monique recebe perdão judicial por homicídio
Caso Henry Borel: Jairinho é condenado a quase 44 anos de prisão; Monique recebe perdão judicial por homicídio. Foto: Divulgação

 

O 2º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou, na madrugada desta quinta-feira (4), Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão pelo falecimento do menino Henry Borel, de 4 anos. A decisão encerra um julgamento histórico de 10 dias — o mais longo da história recente do Judiciário fluminense —, ocorrido cinco anos após o crime que chocou o país.

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Em contrapartida, o Conselho de Sentença desclassificou a acusação de homicídio doloso contra a mãe da criança, Monique Medeiros. Os jurados entenderam que houve negligência em sua conduta e a condenaram pelo crime de omissão em relação à tortura sofrida pelo filho.

A juíza Elizabeth Machado Louro fixou a pena de Monique em 1 ano e 4 meses de detenção em regime aberto, concedendo-lhe o perdão judicial quanto ao homicídio culposo. A magistrada também declarou a extinção da punibilidade da professora, considerando que o tempo em que ela permaneceu presa preventivamente durante o processo já cumpre integralmente a pena imposta.

As penas e os argumentos da sentença

A dosimetria aplicada a Jairinho detalhou a gravidade das condutas do ex-vereador, que foi reconduzido à prisão sem direito a recorrer em liberdade:

  • 35 anos, 6 meses e 20 dias pelo homicídio duplamente qualificado;
  • 6 anos e 3 meses por tortura;
  • 2 anos por coação no curso do processo.
Dr. Jairinho e Monique Medeiros, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Foto: Divululgação/TJRJ

Ao ditar a sentença, a juíza Elizabeth Louro afirmou que Jairinho demonstrou uma “personalidade insidiosa, perfeitamente apta ao engano e à dissimulação”, destacando a extrema vulnerabilidade da vítima e o sofrimento físico incompatível com a idade da criança. Jairinho também foi condenado a pagar R$ 400 mil em indenização por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel.

Ao justificar o perdão judicial a Monique Medeiros, a magistrada fez duras críticas à reação social nos últimos cinco anos, classificando-a como “desproporcional, desmesurada e claramente discriminatória de gênero”.

“Fosse o pai e não a mãe, na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado”, declarou a juíza na sentença, argumentando que a cultura patriarcal exige das mulheres a figura de uma “mãe perfeita”, impondo cobranças incompatíveis com a realidade.

O Ministério Público e a defesa de Jairinho informaram que vão recorrer da decisão. Além do ex-casal, o médico Jefferson Evangelista Corrêa, assistente técnico da defesa de Jairinho, foi condenado pelo crime de falsa perícia por apresentar laudos contestados pelos peritos oficiais.

Logo após a leitura da sentença, o clima no plenário foi de intensa comoção por parte da defesa de Monique. Em um dos momentos registrados logo após o veredicto, ela fez um gesto de coração com as mãos em direção aos parentes que acompanhavam a sessão. A cenda foi registrada pela TV Band.

O Crime e o Legado da Lei Henry Borel

O desfecho do caso ocorre 1.915 dias após a madrugada de 8 de março de 2021, data em que Henry Borel deu entrada sem vida no Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio. Na ocasião, Jairinho e Monique alegaram que o menino havia caído da cama.

Entretanto, os laudos periciais e a reconstituição da polícia descartaram completamente a hipótese de acidente doméstico. O exame de necropsia constatou que Henry sofreu 23 lesões por ação violenta, morrendo em decorrência de uma hemorragia interna e laceração hepática provocadas por espancamento.

O assassinato da criança motivou uma mobilização nacional que culminou na sanção da Lei Henry Borel, em maio de 2022. A legislação alterou o Código Penal brasileiro para tornar crime hediondo qualquer tipo de homicídio praticado contra crianças e adolescentes, além de endurecer os mecanismos de proteção infantil no país.

 

 

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Tags:caso henry borelex-vereadorhenry boreljulgamentorio de janeirosentença

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