
O Corinthians fechou o primeiro trimestre de 2026 com um rombo de R$ 131,1 milhões — quase quatro vezes o déficit de R$ 36,4 milhões previsto no orçamento. O balancete de março, divulgado nesta segunda-feira (11), escancara o desequilíbrio entre receitas e despesas e traz uma justificativa central: o clube não vendeu atletas na primeira janela.
A expectativa era negociar R$ 75 milhões em direitos federativos, mas a diretoria optou por segurar os principais jogadores para priorizar a campanha na Libertadores. Sem esse dinheiro, o prejuízo disparou.
Receitas acima do orçamento, mas insuficientes
As receitas operacionais brutas somaram R$ 206,8 milhões, acima dos R$ 186,7 milhões orçados. Patrocínios e publicidade puxaram o resultado positivo, com R$ 92,5 milhões (contra R$ 83,6 milhões previstos). Premiações esportivas também surpreenderam: R$ 15,2 milhões, ante R$ 4 milhões projetados. O matchday, por outro lado, decepcionou: R$ 39,1 milhões — abaixo dos R$ 43,8 milhões esperados.
Gasto com pessoal pressiona
Do lado das despesas, o custo com pessoal foi o grande vilão: R$ 149,2 milhões, bem acima dos R$ 134,5 milhões orçados (+11%). Materiais e serviços esportivos também vieram acima do planejado (R$ 32,6 milhões contra R$ 30,4 milhões). Já custos com jogos, despesas administrativas e jurídicas fecharam abaixo do previsto, amortecendo parte do estrago.
A conta final do Corinthians
- EBITDA recorrente: -R$ 4,5 milhões (orçado: -R$ 26,2 milhões)
- Margem EBITDA recorrente: -2,3% (orçado: -15,3%)
- Resultado financeiro líquido: -R$ 54,1 milhões (orçado: -R$ 61,6 milhões)
- Itens não recorrentes: R$ 38,6 milhões (premiação da Copa do Brasil + tributos Félix Torres)
- Déficit do exercício: R$ 131,1 milhões (orçado: R$ 36,4 milhões)
Sem os itens extraordinários — premiação pelo título da Copa do Brasil e impostos sobre a negociação de Félix Torres — e descontada a frustração com vendas, o déficit real seria de R$ 17,5 milhões. Ainda assim, bem distante do equilíbrio financeiro que o clube persegue.
